Os brasileiros formam, entre 27 grupos consultados, o povo mais favorável à regulação dos negócios pelo governo e um dos três que mais querem do Estado o exercício de papel ativo para promover a distribuição de renda.
Essas posições, indicadoras de insatisfação com o capitalismo, constam de pesquisa realizada pelo Instituto GlobeScan, a pedido da rede britânica de comunicação BBC, com 29.033 pessoas de 27 países. No Brasil foram feitas 835 entrevistas, de 2 a 4 de julho, em Brasília e oito capitais estaduais. Em síntese, o que a pesquisa apurou aqui é que 87% dos entrevistados desejam que o governo exerça papel maior na regulação dos negócios – índice superior ao apurado em qualquer outro país; e 89% querem que o Estado seja mais ativo para promover a distri bui ção de renda – índice supera do apenas pelos mexicanos (92%) e chilenos (91%).
A pesquisa informa ainda que 64% dos brasileiros – um dos maiores índices identificados – defendem maior controle do governo sobre a indústria e os negócios.
A conclusão geral da pesquisa é a de que se disseminou pelo mundo a desilusão com o capitalismo. Só 11% do total de entrevistados disseram que a economia capitalista funciona corretamente, enquanto 51% manifestaram a crença de que suas falhas podem ser resolvidas com mais regulação e reformas. Os únicos países em que mais de 20% dos entrevistados disseram que o capitalismo está funcionando bem são os Estados Unidos (25%) e o Paquistão (21%).
“Parece que a queda do Muro de Berlim – que ontem completou 20 anos e foi simulada com a queda de dominós – pode não ter sido a vitória arrasadora
do capitalismo de livre mercado que se acreditava então, em particular depois dos acontecimentos dos últimos 12 meses”, avaliou Doug Miller, presidente da Instituto GlobeScan, referindo-se à crise financeira internacional.
Os brasileiros formam o terceiro grupo nacional entre aqueles que consideram indispensável um novo modelo econômico porque o capitalismo sofre de defeitos insuperáveis. Esse grupo é proporcionalmente maior na França (43%) e no México (38%) do que no Brasil (35%).
Em 15 dos 27 países que formaram o universo da pesquisa a maioria dos entrevistados desejam que seus governos exerçam maior controle sobre suas indústrias. Esse desejo é maior entre os russos (77%).
Depois do colapso das instituições financeiras e dos trilhonários planos de socorro e de recuperação adotados pelos governos, a maioria dos entrevistados em 17
países desejam maior regulação da economia. Em 22 dos 27 países, sobretudo entre os latino-americanos, os pesquisados se pronunciaram majoritariamente por uma divisão menos desigual ou mais igualitária das riquezas. (Com agências)
Matéria publicada originalmente no site Brasília Confidencial, edição de 9 de novembro de 2009.
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