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	<title>PSOL Mogi das Cruzes &#187; Saúde</title>
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	<description>Diretório Municipal</description>
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		<title>Por que os professores adoecem?</title>
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		<pubDate>Tue, 10 Nov 2009 14:11:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Levantamento revela as condições de trabalho
e seus reflexos na saúde dos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>ISABEL GARDENAL*</p>
<p>Uma pesquisa de fôlego sobre as condições de trabalho e suas repercussões na saúde dos professores da educação básica, que começou com um levantamento de teses e livros de toda a produção do país nos últimos dez anos, culminou com um livro sobre o assunto. <span id="more-604"></span>O projeto – encabeçado pela Fundacentro, instituição vinculada ao Ministério do Trabalho e Emprego que promove pesquisas científicas e tecnológicas sobre a saúde dos trabalhadores, e que teve apoio financeiro da Secretaria de Educação Básica do Ministério da Educação (MEC) – contou com a coordenação das professoras Aparecida Neri de Souza e Márcia de Paula Leite, do Departamento de Ciências Sociais na Educação (Decise) da Faculdade de Educação (FE) da Unicamp. Reúne em mais de 100 páginas o estado da arte a partir de temas como o trabalho docente em números, o mal-estar docente, o estresse emocional, os distúrbios vocais e a síndrome de Burnout. As primeiras conclusões foram categóricas: é preciso conhecer mais as causas que levam os professores a adoecerem, não somente combater as consequências.</p>
<p>O projeto que coube à equipe da Universidade, composta por 13 colaboradores (entre eles professoras da Unesp de Araraquara, pesquisadoras da USP, doutores e pós-graduandos da FE), além das coordenadoras, consistiu em uma análise das tendências, nas pesquisas acadêmicas, sobre o trabalho e a saúde de professores no período entre 1998 e 2007. Para fundamentar o trabalho, as coordenadoras analisaram 64 resenhas (50 dissertações, 10 teses de doutorado e 4 livros) elaboradas pelos pesquisadores; o levantamento foi feito com base no Banco de Dissertações e Teses organizado pela Capes, no Sistema de Bibliotecas da Unicamp, com base acervus, e nas bases de dados das bibliotecas das universidades brasileiras que foram consultadas em meio eletrônico. Foi empregado também o sítio do <em>Scientific Electronic Library On Line </em>(<em>Scielo</em>), organizado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).</p>
<p>Para concluir o levantamento, foram gastos dois meses, exigindo dedicação de seus participantes, conhecimento teórico e metodológico sobre educação e trabalho. Mas o trabalho ficou robusto e permitiu dar visibilidade à produção das universidades brasileiras em torno da temática. Fruto dos estudos, eles agora estão organizados em dois volumes – o primeiro com o estado da arte e o segundo com as resenhas.</p>
<p>Um ponto que sobressaiu facilmente à análise foi que, embora a escola sendo reconhecida grosso modo como uma instituição em que as condições de trabalho são ruins, o professor foi considerado, paradoxalmente, um profissional com alta qualificação profissional no mercado. Ainda que soe uma contradição, ficou claro que o professor não realiza suas tarefas mecanicamente e busca um sentido para o trabalho que faz. Neste particular, a pesquisa revelou que o trabalho do professor, organizado em ciclos longos e flexíveis, favorece o seu controle, ainda que relativo, sobre o processo de ensino, expressão de criatividade e inovação.</p>
<p>O material coletado contextualizou o trabalho docente no presente, ao relacioná-lo às exigências crescentes da sociedade e ao levar em conta a realidade social marcada pelas desigualdades sociais, pela violência e pela falta de perspectiva de futuro dos jovens (grupo social mais atingido pelo desemprego). Conforme a pesquisa, esses aspectos têm criado uma crise de identidade nos professores, que vão perdendo a referência sobre o que devem fazer no ofício de ensinar.</p>
<p>A importância da escola no processo de mobilidade social, relata Neri, tem sido colocada em dúvida, ao mesmo tempo em que o mundo do trabalho vem valorizando-a como uma possibilidade de acesso ao restrito mercado de trabalho. Sem garantir, no entanto, a inserção dos jovens escolarizados. Tudo isso lança uma pergunta que parece cada vez mais difícil de ser respondida: qual o papel social da escola atualmente?</p>
<p>A dificuldade de responder a essa questão tem levado a outra contradição no universo escolar: entre o cotidiano dos professores e a teorização do papel da escola. A defasagem entre o trabalho a ser realizado e a realidade é cada vez maior, segundo as pesquisadoras. Os autores a caracterizam como “a face oculta de nossa modernidade” e concluem que, quanto maior for essa defasagem, maior será o investimento afetivo e cognitivo exigido do professor, demandando maior esforço e sofrimento psíquico dele.</p>
<p>Um panorama a ser considerado, e que permeou o levantamento, foi a necessidade ainda do estabelecimento de um vínculo afetivo e emocional para o exercício da atividade docente. Entretanto, o trabalho sugeriu que este vínculo está sendo bloqueado pelo jogo de interdições que caracterizam a atuação dos profissionais da educação. “Isso define o aparecimento de sofrimento psíquico, que ocorre quando o investimento, afetivo, emocional e cognitivo, não tem retorno, como nas relações entre professor e aluno”, exemplifica Neri. “Mas isso não fornece base e argumentos fortes para responsabilizar a qualificação da força de trabalho dos profissionais da educação pelas mazelas e pela baixa qualidade do ensino no Brasil”, esclarece.</p>
<p><strong>Achados </strong><br />
Durante o levantamento, a equipe da Unicamp cruzou dados sobre o número de professores e sua escolarização com o nível de ensino. Atualizando esses dados com os do Censo de 2007, temos que dos 1.882.961 professores brasileiros que davam aulas no ensino básico, 75% estavam concentrados no ensino fundamental, sendo que 36% davam aulas para as quatro séries iniciais e 39% nas quatro séries finais. Ainda na educação infantil e no ensino fundamental, professores com escolaridade equivalente ao ensino médio eram quase a metade, embora a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) de 1996 indicasse que todos deveriam ter nível superior.</p>
<p>Os dados apontaram que possuíam, em 2007, formação profissional em nível superior: 65% dos professores da educação fundamental (quatro séries iniciais) e 42% das creches. Dentre os professores do ensino fundamental (quatro séries finais) e ensino médio (antigo segundo grau), que historicamente são formados em cursos de licenciatura de nível superior, 15% ainda não possuíam esta escolaridade.</p>
<p>A escolarização dos professores brasileiros, menciona Márcia, mesmo tendo passado por um período de investimento em políticas de formação profissional, ainda conta com um contingente expressivo que não tem ensino superior. Estes dados foram obtidos do Censo Escolar da Educação Básica, de 1997, por não estarem disponíveis para consulta, à época, o último censo. Cabe aqui uma ressalva de Márcia: os dados mudaram do Censo do Professor, realizado em 1997, para o Censo da Educação Básica de 2007. “Em 1997, apenas 50% dos professores brasileiros tinham escolaridade de nível superior. Hoje são 70%”, informa.</p>
<p>Ao avaliarem a diversidade regional do território brasileiro, as pesquisadoras perceberam pouca participação da esfera federal na oferta do ensino básico. Esse achado continua válido com a atualização dos dados para 2007: a escola pública continua em 2007 majoritariamente municipal, em relação ao país todo, com 44% dos professores brasileiros trabalhando nestas escolas. No Nordeste eram 59%, no Sudeste 35%, no Sul 37%, no Norte 53% e no Centro-Oeste 42%.</p>
<p>Abordando a distribuição dos docentes por sexo, o Censo da Educação Básica, de 2007, revelou que o espaço da educação básica era particularmente feminino. Dentre 1.882.961 docentes, 1.542.925 eram do sexo feminino contra 340.036 do sexo masculino. Em termos percentuais, isso representava um universo de 82% de mulheres e apenas 18% de homens. Uma tendência que persiste na sociedade é que o perfil predominantemente feminino se modifica quando os professores percorrem os diferentes níveis de ensino. Essa participação feminina concentra-se principalmente nos níveis inferiores, no ensino infantil e fundamental I, onde elas constituíam mais de 90%, no ensino fundamental II (quinta à oitava série), onde elas eram 74% e no ensino médio, no qual perfaziam 64%. “Esta concentração, se considerarmos as relações de gênero, tem efeitos evidentes sobre a saúde dessas professoras, se levarmos em conta não somente os baixos níveis salariais que predominam, mas também as condições em que as mulheres desenvolvem o trabalho, assim como a maior incidência de sofrimento mental, estresse emocional e Burnout entre elas”, pontua Neri.</p>
<p>Se a gestão escolar é democrática, com mais participação social, tem impactos positivos sobre as relações de trabalho nas escolas, apontam as pesquisas. Segundo as coordenadoras da pesquisa, a forma democrática é oportunidade alvissareira para melhorias das condições de trabalho, com ações de combate à violência e defesa do patrimônio público contra atitudes de vandalismo, além de melhoria da qualidade do ensino. Em escolas geridas democraticamente, verificou-se inclusive uma maior participação da comunidade e envolvimento dos familiares nos problemas comuns da escola.</p>
<p>Os dados do Censo dos Profissionais do Magistério, de 2003, sugeriram que os professores que exercem sua função na educação infantil e no ensino fundamental de primeira a quarta série recebiam os salários mais baixos, em média R$ 676,00 mensais. Aqueles que atuavam no ensino fundamental de quinta a oitava série recebiam em média R$ 854,56 e os do ensino médio atingiam maiores remunerações: R$ 1.059,80.</p>
<p>No levantamento, tomando como exemplo algumas ocupações de diversos níveis de especialização, depreendeu-se que, mesmo aquelas que requeriam baixa escolaridade ou formação profissional de nível básico, alcançaram níveis mais elevados de remuneração, especialmente os de educação infantil. Entre os docentes do ensino médio, os salários são, em sua grande maioria, inferiores aos recebidos por profissionais com escolaridade equivalente ao nível técnico (veja na página ao lado).</p>
<p><strong>Mal-estar docente</strong><br />
Uma primeira radiografia demonstrou que a discussão sobre trabalho e saúde do professor no país avançou significativamente na última década. Não obstante, prosseguem algumas deficiências sinalizando para o longo caminho a ser percorrido – a sua exposição a temperaturas inadequadas, ruídos, superlotação das salas, cansaço extremo pelas longas jornadas de trabalho, dupla jornada das mulheres, falta de tempo para si e para se atualizarem, angústia pelas exigências sociais em termos de atividades, complexidade das tarefas aliada à falta de recursos, problemas sociofamiliares dos alunos, ritmo de trabalho, multiplicidade de tarefas simultaneamente às posturas desconfortáveis, pouca frequência de pausas, falta de valorização, burocratização das atividades, falta de diálogo com a administração das escolas e expansão dos contratos de trabalho temporários e eventuais.</p>
<p>Conforme Neri, em geral os professores enfrentam estes problemas respondendo com atrasos, faltas, queda da qualidade e desinteresse pelo trabalho, e adoecimento. Um fato intrigante, expõe ela, é que a legislação trabalhista ainda não reconhece como doença ocupacional o estresse laboral e os distúrbios da voz. Somam-se a isso algumas estratégias de resistência que são adotadas pelos professores: um processo de desinvestimento subjetivo e individualismo; a recusa à troca de série, método de ensino e resistência a inovações tecnológicas; atribuição de culpa aos alunos por seu fracasso escolar; desvio de função; licença sem vencimento; uso da família como bode expiatório; recusa para se assumir como professor da escola pública; e evasão ou abandono da profissão.</p>
<p>A partir do estado da arte, foram realizadas entrevistas com professores para conhecer as atividades e condições de trabalho, procurando entender como elas podem afetar a sua saúde, pelos pesquisadores da Fundacentro em colaboração com as confederações sindicais de professores do setor público e do setor privado. Nestas entrevistas, o professor de uma escola estadual de SP relatou: “<em>eu trabalho só no Estado. Já trabalhei em escola particular e no Estado e no município e no Estado. Agora estou com dois cargos no Estado, não com carga horária integral em cada um porque não aguento. Mas tem professores que dão até 64 aulas semanais</em>.” Outros dois professores mencionaram os dilemas em escolas privadas de SP: “<em>tenho 50 alunos na sala de aula. Para mim, é normal ter 50 alunos na rede estadual, mas não na particular</em>” e “<em>é uma jornada estafante demais. São 20 turmas por semana em escola pública</em>”.</p>
<p>Através de apurada revisão da literatura, foi possível estabelecer um consenso que o mal-estar docente é um fenômeno social do mundo ocidental que possui como agentes desencadeadores a desvalorização concomitante às constantes exigências profissionais, a violência e a indisciplina, entre outros fatores, que acabam por promover uma crise de identidade em que o professor passa a se questionar sobre a sua escolha profissional e o próprio sentido da profissão. “Praticamente a totalidade dos trabalhos analisados faz referência ao mal-estar docente, discutindo como ele se manifesta em diferentes contextos do ensino básico, em escolas públicas e em escolas privadas”, conta Márcia.</p>
<p><strong>Riscos </strong><br />
Esse mal-estar passa a se manifestar em sentimentos negativos intensos como angústia, alienação, ansiedade e desmotivação, além de exaustão emocional, frieza perante as dificuldades dos outros, insensibilidade e postura desumanizada. A profissão docente é hoje considerada como uma das mais estressantes, uma profissão de risco, conforme a Organização Internacional do Trabalho (OIT). E, não raro, os professores partem para a fuga de olhar o processo sem se reconhecer nele. Nas mulheres, os principais efeitos do mal-estar são amenorreia, cefaleia, melancolia climatérica, frigidez, anorexia, bulimia, neurose de ansiedade e psicose depressiva .</p>
<p>A opção de ouvir professores de escolas públicas e privadas se mostrou acertada, de acordo com as coordenadoras do estado da arte, para desmistificar a ideia de que somente na escola pública há difíceis condições de trabalho. Serviu ainda para apontar que os múltiplos empregos são assumidos por professores para conseguir um ganho razoável no fim do mês. Mas o mais importante foi evidenciar como as condições nas quais os professores realizam seu trabalho produzem seu adoecimento físico e mental e que eles enfrentam estes problemas de forma individualizada. As autoras reiteram que as pesquisas mostram a necessidade de o poder público construir políticas públicas que enfrentem as suas origens em oposição às políticas que pretendem atingir somente os efeitos, tais como a premiação dos assíduos.</p>
<p>Muitos outros pontos foram analisados pela pesquisa, entre os quais distúrbios vocais, que atingem significativamente os professores que fazem uso da voz como instrumento de trabalho, e a síndrome de Burnout. Esta síndrome vai avançando com o tempo, corroendo devagar o ânimo do trabalhador, que vai se apagando. É uma desistência de quem ainda está lá, encalacrado em uma situação de trabalho que não pode suportar, mas que, concomitantemente, também não pode desistir. O trabalhador arma inconscientemente uma retirada psicológica, um modo de abandonar o trabalho, apesar de continuar no posto. Está presente na sala de aula, mas passa a considerar cada aula, cada aluno, cada semestre como números que vão se somando em uma folha em branco. Os estudos sobre a síndrome em professores a associam a respostas individuais aos estressores interpessoais ocorridos em situações de trabalho. Uma diferença significativa entre o Burnout e o estresse é que este último afeta somente a pessoa envolvida, enquanto o Burnout afeta todos os envolvidos na situação de trabalho e nas relações pessoais, prejudicando não apenas o professor, mas também os alunos e comprometendo todo o processo de ensino-aprendizagem. A alta frequência do Burnout entre os professores brasileiros consiste numa evidência das difíceis condições de trabalho a que eles estão submetidos e, em consequência, as precárias condições de ensino e aprendizagem que ainda estão presentes na maior parte das escolas do ensino básico do país.</p>
<blockquote><p>Matéria publicada originalmente no site do <a href="http://www.unicamp.br/unicamp/unicamp_hoje/ju/novembro2009/ju447_pag0607.php" target="_blank">Jornal da Unicamp</a></p>
<p><a href="http://www.psolmogi.org.br/wp-content/uploads/2009/11/TrabProfessoresSP_Final.pdf">Baixe aqui o arquivo pdf da publicação da Fundacentro: Trabalho de Professores na Educação Básica em São Paulo</a></p></blockquote>
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		<title>Debate sobre a Saúde Pública</title>
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		<pubDate>Thu, 22 Oct 2009 16:27:38 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[No próximo dia 7 de novembro, o Mandato do Deputado Federal ivan Valente realiza debate sobre a Saúde Pública em São Paulo.
O debate que tem como tema “A Saúde pública na U.T.I.” contará com a presença da professora Virginia Junqueira, da UNIFESP, e da médica sanitarista Maria Haydée Lima.
A atividade vem de encontro a uma [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.psolmogi.org.br/wp-content/uploads/2009/10/debate_saude.jpg"><img style="border-bottom: 0px; border-left: 0px; margin: 5px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px" title="debate_saude" src="http://www.psolmogi.org.br/wp-content/uploads/2009/10/debate_saude_thumb.jpg" border="0" alt="debate_saude" width="322" height="515" align="left" /></a>No próximo dia <strong>7 de novembro</strong>, o Mandato do Deputado Federal ivan Valente realiza debate sobre a Saúde Pública em São Paulo.</p>
<p>O debate que tem como tema <strong>“A Saúde pública na U.T.I.”</strong> contará com a presença da professora <strong>Virginia Junqueira</strong>, da UNIFESP, e da médica sanitarista <strong>Maria Haydée Lima.</strong></p>
<p>A atividade vem de encontro a uma série de problemas no atendimento as demandas da área de saúde, que temos acompanhado na região do Alto Tietê e que afeta toda a saúde pública do Estado de São Paulo.</p>
<p>Num processo de agressiva privatização dos serviços por parte do Governo do Estado e também das administrações municipais, a população vê o direito à saúde desrespeitado e sofre com a falta de atendimento adequado e com a demora nos tratamentos que colocam vidas em risco.</p>
<p>É urgente a mobilização para reafirmar os direitos e fortalecer a luta em defesa da saúde pública.</p>
<p>Convide outras pessoas, <strong>participe, traga sua contribuição para o debate</strong>.</p>
<p>O debate acontecerá no <strong>Auditório da APEOESP</strong>, que fica na <strong>Praça da República n° 282</strong>, a partir das <strong>15h.</strong></p>
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		<title>Serra cria &#8220;apartheid&#8221; no sistema p&#250;blico de sa&#250;de</title>
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		<pubDate>Fri, 18 Sep 2009 22:06:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[ No dia 14, fazia quatro dias que a neta de Lúcia Rejane estava internada na Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Recém-nascida, a menina possui um tumor na parte externa de sua cabeça. Ela permanece internada porque a máquina de ressonância magnética está quebrada e só esse exame permitirá o diagnóstico: tumor maligno [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.psolmogi.org.br/wp-content/uploads/2009/09/SERRAIII.jpg"><img style="border-bottom: 0px; border-left: 0px; display: inline; margin-left: 0px; border-top: 0px; margin-right: 0px; border-right: 0px" title="SERRA III" border="0" alt="SERRA III" align="left" src="http://www.psolmogi.org.br/wp-content/uploads/2009/09/SERRAIII_thumb.jpg" width="161" height="123" /></a> No dia 14, fazia quatro dias que a neta de Lúcia Rejane estava internada na Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Recém-nascida, a menina possui um tumor na parte externa de sua cabeça. Ela permanece internada porque a máquina de ressonância magnética está quebrada e só esse exame permitirá o diagnóstico: tumor maligno ou benigno. Preocupada, tensa, Rejane fumava dentro do complexo da Santa Casa, num espaço exterior. O hospital é público e administrado por uma organização social (OS), a Irmandade Santa Casa de Misericórdia do Estado de São Paulo.    <br />A alguns metros de Rejane, uma contradição. Existe um outro hospital, o Santa Isabel, que só atende a pessoas conveniadas e também pertence à Irmandade Santa Casa. Causa estranheza, entretanto, um hospital privado ocupando um complexo hospitalar público. </p>
<p> <span id="more-558"></span>
<p>A porta do pronto-socorro do hospital Santa Isabel é automática, seu interior é bem acabado, mas o mesmo se encontra vazio. Do lado dos atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), contando 50 metros de distância, cerca de 150 pessoas lotavam um pronto-socorro.    <br />Rejane não estava no PS, mas, diante da sua realidade e das dezenas de pessoas esperando por atendimento médico, desabafa: “A gente não tem dinheiro e fica assim; é ruim ter essa diferença, mas os governantes querem assim”. A dona de casa reclamou também da falta de informação e do péssimo atendimento dado a sua neta.     <br />A “diferença” de tratamento citada pela avó aflita poderá aumentar ainda mais com a nova lei aprovada pelo governador de São Paulo, José Serra (PSDB). Com a mudança, o tucano poderá ampliar a terceirização de unidades públicas de saúde para entidades privadas em São Paulo e permitirá que até 25% dos atendimentos sejam dedicados aos planos de saúde. Ou seja, os hospitais estaduais gerenciados por OSs serão reembolsados por atendimentos prestados a pacientes que tenham planos de saúde.    <br />O deputado estadual Raul Marcelo (Psol) explica que o que já é presenciado por Lúcia Rejane também o será por inúmeras pessoas. “Vai criar o apartheid nos hospitais. Nas Santas Casas já existe uma porta do SUS e outra de um órgão privado”. Como na realidade presenciada por Lúcia Rejane, Raul reforça: “é a porta do plano de saúde vai ser a modernizada”.    <br />Mais. Para os críticos da nova lei, o atendimento a convênios prejudicará os pacientes mais pobres, que comumente enfrentam filas enormes, enquanto pessoas com cobertura privada desfrutarão, dentro da rede pública, de melhores serviços. Em declaração ao Correio da Cidadania, o diretor do Centro Brasileiro de Estudos de Saúde, Mário Scheffer, reforça o conceito de divisão social já dito pelo deputado Raul Marcelo e também acredita que &quot;isso cria um verdadeiro apartheid dentro do sistema&quot;.    <br />É só fazer as contas. Agora, as OSs vão atender 75% dos usuários do SUS e 25% de clientes com planos de saúde. Quer dizer, um pessoa que antes esperava sete meses para ser atendida por um endocrinologista, por exemplo, terá um acréscimo de 25% no tempo.     <br />Para a administração tucana, o atendimento de planos traria mais recursos ao setor público. Mas a promotora pública Ana Trotta Yarid entrará com ação de inconstitucionalidade contra o projeto, que visa somente “abrir caminho para a entrada das organizações&quot;.    <br />Abre caminho para um setor e literalmente presenteia outro. Ela lembra, em entrevista ao Correio da Cidadania, que o governo sempre teve a possibilidade de cobrar dos planos pelos atendimentos que esses utilizaram na rede pública. O próprio secretário do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo, Ismar Barbosa Cruz, afirmou no início deste ano que a dívida dos planos de saúde com o SUS é de &quot;no mínimo, R$ 4,3 bilhões&quot;.    <br /><b>     <br />Nas tetas estatais</b>    <br />Raul Marcelo chama atenção para dados de um relatório do Dieese. Ele mostra que, em 2004, foram gastos R$ 600 milhões com OSs e, em 2008, foram gastos mais de R$ 1 bilhão.     <br />Roberto*, funcionário de uma unidade de Assistência Médica Ambulatorial (AMA) da zona leste da capital paulista, gerenciada por uma OS, denuncia que foram gastos, só para a construção de um jardim estilo japonês, cerca de R$ 20 mil, sem nenhum tipo de fiscalização.“Isso revoltou os funcionários”, diz.    <br />Por falar em revolta dos funcionários, a terceirização como consequência da criação das OSs é fator preponderante para a diminuição dos encargos trabalhistas. Entre 2000 e 2007, os gastos proporcionais com as OSs cresceram 114,14%, saltando de 9,76% para 20,90% dos recursos da saúde. Já as verbas para “pessoal e encargos sociais” caíram, proporcionalmente, 26,08%, saindo do patamar em 2000 de 53,58% para 39,6% em 2007. Esse dados constam do Sistema de Informações Gerenciais da Execução Orçamentária (Sigeo), da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo.    <br />O governo economiza custos e obtêm maior lucratividade. Roberto, entretanto, assinala que na AMA onde trabalha nunca observou a contratação de tantos funcionários, porém, todos terceirizados. Assim como chamou a atenção da reportagem o excesso de seguranças na Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Foram observados cerca de 15 seguranças.     <br /><b>     <br />Assanhado</b>    <br />Além de abrir as portas da bonança para as OSs e os planos de saúde, em dezembro de 2007, o governador ajuizou uma ação direta de inconstitucionalidade (Adin), com pedido de liminar, no Supremo Tribunal Federal (STF), para derrubar a lei estadual que criou os Conselhos Gestores de Saúde no SUS.     <br />“O destaque mais negativo [com a aprovação da nova lei] é o fato dela desarticular o pouco que conquistamos no Brasil. Em primeiro lugar, a saúde é direito e dever do Estado. Em segundo lugar, ela tem que ter o controle social”, defende Raul Marcelo.    <br /><i>     <br />*nome fictício</i></p>
<p><em>Artigo publicado originalmente no <a href="http://www.brasildefato.com.br/v01/agencia/nacional/serra-cria-201capartheid201d-no-sistema-publico-de-saude" target="_blank">site Brasil de Fato</a>, texto de&#160; </em><i>Eduardo Sales de Lima da Reportagem.</i></p>
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		<title>Mudan&#231;as clim&#225;ticas podem gerar &quot;cat&#225;strofe global de sa&#250;de&quot;</title>
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		<pubDate>Fri, 18 Sep 2009 20:43:55 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Entidades médicas internacionais estão preocupadas com a manutenção dos atuais níveis de aquecimento global. As entidades alertam que caso o tratado de Copenhague fracasse, as populações viverão uma &#34;catástrofe global de saúde&#34;. O tratado vem como uma substituição do Protocolo de Kyoto para diminuir a emissão de gases que causam o efeito estufa. Os especialistas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Entidades médicas internacionais estão preocupadas com a manutenção dos atuais níveis de aquecimento global. As entidades alertam que caso o tratado de Copenhague fracasse, as populações viverão uma &quot;catástrofe global de saúde&quot;. O tratado vem como uma substituição do Protocolo de Kyoto para diminuir a emissão de gases que causam o efeito estufa. Os especialistas de saúde se manifestaram por meio de uma carta divulgada em revistas especializadas.    <br />Segundo os médicos, as mudanças climáticas mundial irão afetar muito mais os habitantes de países tropicais pobres. Essas populações devem enfrentar o aumento na transmissão de doenças, a falta de alimentos e de água pura. Já nos países de clima temperado, mais pessoas poderão morrer em razão do calor excessivo.     <br />O tratado de Copenhague deve ser assinado em dezembro, durante o encontro de chefes de Estado na cúpula da Organização das Nações Unidas (ONU), em Copenhague, na Dinamarca. No entanto, já existem discordâncias quanto à restrição de emissão de gases associados ao efeito estufa.     </p>
<p>Matéria publicada originalmente pela <a href="http://www.radioagencianp.com.br/index.php?option=com_content&amp;task=view&amp;id=7697&amp;Itemid=1" target="_blank">Radioagência NP</a>, texto de Aline Scarso.</p>
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		<title>Novo Conselho Municipal de Saúde toma posse.</title>
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		<pubDate>Mon, 31 Aug 2009 19:25:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[ No último dia 27 de agsto tomaram posse os membros do Conselho Municipal de Saúde (CMS) eleitos para o biênio 2009/2011. Os conselheirosque representam os segmentos de trabalhadores da saúde e usuário, foram eleitos no último dia 15, no Cemforpe, pelos seus pares e os representantes do segmento gestor foram escolhidos por indicação do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.psolmogi.org.br/wp-content/uploads/2009/08/images.jpg"><img style="border-bottom: 0px; border-left: 0px; margin: 5px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px" title="images" border="0" alt="images" align="left" src="http://www.psolmogi.org.br/wp-content/uploads/2009/08/images_thumb.jpg" width="102" height="102" /></a> No último dia 27 de agsto tomaram posse os membros do Conselho Municipal de Saúde (CMS) eleitos para o biênio 2009/2011. Os conselheirosque representam os segmentos de trabalhadores da saúde e usuário, foram eleitos no último dia 15, no Cemforpe, pelos seus pares e os representantes do segmento gestor foram escolhidos por indicação do prefeito. </p>
<p> <span id="more-487"></span>
<p>A primeira reunião ordinária do CMS está marcada para 14 de setembro. </p>
<p><b>RELAÇÃO DOS CONSELHEIROS</b></p>
<p><b>Segmento Gestor (25%)</b>    <br />Representante da Secretaria Estadual de Saúde: Titular: Fernando de Oliveira Hinojosa /Suplente: Aparecida Donisete Batista    <br />Representante da Secretaria Municipal de Saúde: Titular: Paulo Villas Bôas de Carvalho / Suplente: Marcello Delascio Cusatis&#160; <br />Representante de outras Secretarias Municipais: S.M. de Assistência Social Titular: Edilaine do Carmo / Suplente: Edson dos Santos    <br /><b></b></p>
<p><b>Prestador de Serviços Privado</b>    <br />Centro Oncológico Mogi das Cruzes S/C Ltda: Titular: Álvaro Otávio Isaías Rodrigues / Suplente: Valéria Rocha Macedo    <br />Prestador de Serviços Filantrópico: Santa Casa / Hospital N.S. Aparecida Titular: Carlos Alberto Gallo / Suplente: Benedito Carlos Filho    <br /><b></b></p>
<p><b>Segmento Trabalhador (25%)</b>    <br />Trabalhador Estadual: Hospital Dr. Arnaldo : Titular: Lucilene de Almeida Santos / Suplente: Mário Donizete Nogueira    <br />Trabalhador Municipal: S.M.Saúde: Titular: Caio Sakamoto Camargo / Suplente: Jaqueline Fontoura de Souza    <br />Trabalhador Estabelecimento Filantrópico: Santa Casa &#8211; Hospital N.S. Aparecida: Titular: Maricélia Batista Leal / Suplente: Alessandra Pafundi    <br />Trabalhador Estabelecimento Privado: Clinica Buani: Titular: Hugo Alexandre Zanchetta Buani / Suplente: Sueli de Carvalho Dourado    <br />Trabalhador de Profissionais de Saúde: Assoc. Paulista de Cirurgiões Dentistas: Titular: Alexandre Balbi Rodrigues /Suplente: Ricardo Shody Nomura    <br /><b></b></p>
<p><b>Segmento Usuários (50%)</b>    <br />Assoc. de Aposentados ou Terceira Idade / Sindicato Nac. Trabalhadores Aposentados: Titular: José Arsênio de Gouveia / Suplente: Euclides Pereira Quinto    <br />Associações de Portadores de Deficiência Física, Mental e outras Patologias    <br />Imac &#8211; Instituto Mogiano de Apoio aos Portadores de Câncer: Titular: Thais de Jesus Stuart Deolindo: Suplente: Alexsandro de Oliveira     <br />Mov. de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase – Morhan: Titular: Dalva Aparecida da Cruz / Suplente: Manoel Francisco dos Santos    <br />Associação Mogiana de Estomizados – AME: Titular: Alexandre Magno dos Santos / Suplente: Claudio de Andrade    <br />Associações e/ou Sindicatos não vinculados a saúde: GRESC “Esquadrão Alvi Negro”: Titular: Leanderson Pires Ribeiro / Suplente: Joyce Beatriz Pereira Rocha    <br />Sind. Trab. Empresas de Transportes Rod: Titular: Sergio Amaro de Oliveira / Suplente: Elton Pedro de Oliveira    <br />Associações de Bairros: Assoc.Moradores e Prop. Manuel Ferreira: Titular: Josiane de Abreu Ribeiro / Suplente: Fabiana Ellen da Silva    <br />Soc. Amigos de Bairro da Chácara Santo Ângelo: Titular: Conceição Aparecida Schuwenck de Jesus / Suplente: Valdevino Fernandes de Miranda    <br />Associação dos Moradores do Con. Álvaro Bovolenta: Titular: Maria de Lourdes Corrêa / Suplente: Donila de Oliveira Soares    <br />Conselhos Locais de Saúde: Titular: Ronaldo Barbosa de Brito / Suplente: Kátia Regina de Oliveira Rocha da Silva </p>
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		<title>Os del&#237;rios da direita norte-americana</title>
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		<pubDate>Sat, 29 Aug 2009 19:05:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Neoliberalismo]]></category>
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		<description><![CDATA[ Desde a posse de Obama, a direita nos EUA tem saltado freneticamente de uma fantasia para outra, como alguém que se debate nos tormentos de um colapso mental. Começou com a conversa de que Obama seria cripto-muçulmano e – ao mesmo tempo – de que seria também membro de uma igreja nacionalista negra que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.psolmogi.org.br/wp-content/uploads/2009/08/guianeoconservadora.jpg"><img style="border-bottom: 0px; border-left: 0px; display: inline; margin-left: 0px; border-top: 0px; margin-right: 0px; border-right: 0px" title="Águia neoconservadora" border="0" alt="Águia neoconservadora" align="left" src="http://www.psolmogi.org.br/wp-content/uploads/2009/08/guianeoconservadora_thumb.jpg" width="103" height="83" /></a> Desde a posse de Obama, a direita nos EUA tem saltado freneticamente de uma fantasia para outra, como alguém que se debate nos tormentos de um colapso mental. Começou com a conversa de que Obama seria cripto-muçulmano e – ao mesmo tempo – de que seria também membro de uma igreja nacionalista negra que odeia brancos. Um traço sempre presente na visão de mundo da direita norte-americana – negar a realidade e argumentar contra um fantasma demoníaco que a própria direita cria – inchou e cresceu. Hoje, a direita só vê o que só ela vê. O artigo é de Johann Hari.</p>
<p> <span id="more-480"></span>
<p>&#160;</p>
<p>Johann Hari &#8211; The Independent</p>
<p><i>Como conseguem ser tão impermeáveis à realidade?</i>    <br />Algo estranho aconteceu nos EUA nos nove meses decorridos desde que Barack Obama foi eleito, bem resumido pelo comediante Bill Maher: &quot;Os Democratas deram um passo em direção à direita; os Republicanos deram vários em direção ao hospício&quot;.    <br />A eleição de Obama – negro e com mensagem progressista – para suceder George W. Bush, detonou o âmago do modo como a direita norte-americana vê seu país. Aí, nesse âmago, eles vêem os EUA como nação de pele branca, de direita, modelada para sempre à moda de Sarah Palin.    <br />Quando essa imagem foi repudiada por maioria maciça de norte-americanos, a direita simplesmente não computou. Não podia acontecer; logo, não aconteceu. Como o grito &quot;Perfure, gatinha, perfure&quot; [<i>“Drill, baby, drill”</i>, uma forma de incentivar Palin a buscar petróleo no Alasca] poderia ter sido derrotado por um mulato supostamente qualificado para a presidência? E, assim, um traço sempre presente na visão de mundo da direita norte-americana – negar a realidade e argumentar contra um fantasma demoníaco que a própria direita cria – inchou e cresceu. Hoje, a direita norte-americana só vê o que só ela vê.    <br />Desde a posse de Obama, a direita nos EUA tem saltado freneticamente de uma fantasia para outra, como alguém que se debate nos tormentos de um colapso mental. Começou com a conversa de que Obama seria cripto-muçulmano e – ao mesmo tempo – de que seria também membro de uma igreja nacionalista negra que odeia brancos.    <br />Quando essas idéias foram rejeitadas e Obama venceu as eleições, puseram-se a dizer que Obama teria nascido no Quênia e que teria sido contrabandeado (sic) para os EUA ainda bebê, e as autoridades do Havaí, cúmplices desse projeto, teriam falsificado a certidão de nascimento do bebê contrabandeado (sic). Nesses termos e pelas razões acima expostas, Obama ‘é’ inelegível, ‘não foi’ eleito e, pois, a presidência ‘tem de ser’ imediatamente entregue ao candidato Republicano, John McCain.    <br />Não são fenômenos marginais: pesquisa da Research 200 descobriu que a maioria dos Republicanos e dos habitantes do Sul afirmam que Obama não nasceu nos EUA ou que não sabem com certeza onde nasceu. Vários senadores Republicanos têm repetido que Obama teria “perguntas a responder”. Não há comprovação, por mais incontestável – a certidão de nascimento, a foto de sua mãe grávida, no Havaí, a participação do nascimento no jornal do Havaí – que abale a convicção dos Republicanos.    <br />Essa tendência alcançou o clímax no verão passado, com o Partido Republicano a clamar, em uníssono, que Obama deseja ver instalados &quot;comitês da morte&quot; para eutanásia dos velhos e portadores de deficiências. Sim, sim: Sarah Palin realmente declarou – sem piscar e sem corar –, que Barack Obama planeja assassinar o bebê dela.    <br />É preciso admirar a audácia da direita. Vejam, pois, o que está realmente acontecendo.    <br />Os EUA são o único grande país industrializado que não oferece assistência pública regular de saúde a toda a população. Não havendo assistência pública de saúde, os cidadãos têm de pagar por planos de seguro-saúde – e 50 milhões de pessoas, nos EUA, não têm meios para isso.    <br />Resultado, 18 mil cidadãos norte-americanos morrem por ano, exclusivamente por não terem acesso ao atendimento médico de que necessitam. Equivale a seis 11 de setembro ao ano, todos os anos, ano após ano. E os Republicanos acusaram de “matadores” os Democratas que tentam deter esses milhares de mortes –, e já conseguiram pô-los na defensiva.    <br />Os Republicanos defendem o sistema existente, dentre outros motivos porque recebem gigantescas somas de dinheiro das empresas médicas privadas que se beneficiam do sistema que gera muitas mortes e muitos lucros. Mas não podem defender diretamente o sistema mortal, porque 70% dos norte-americanos consideram “imoral” defender um sistema de assistência médica que não oferece cobertura a todos os cidadãos. Então, os Republicanos são obrigados a inventar mentiras que operem o prodígio de fazer soar como depravação qualquer plano para estender a cobertura médica.    <br />Há alguns meses, como membro recém incorporada à diretoria de um conglomerado de empresas de saúde privada, Betsy McCaughey noticiou a inclusão de uma cláusula no projeto de lei sobre saúde pública, que pagaria as despesas dos mais velhos para fazerem uma visita ao médico e uma visita ao tabelião para fazer uma declaração de vontade. Poderiam assim declarar quando (se, é claro) desejam que o tratamento seja suspenso. Seria ato totalmente voluntário.    <br />Muita gente deseja ter esse direito: eu mesmo não me interessaria por ser mantido vivo por alguns meses extra, em agonia e sem poder falar. Mas McCaughey lançou o boato de que aí estaria uma forma de eutanásia, pelo qual os velhos seriam forçados a concordar com a própria morte. Depois, a ‘cláusula’ passou a incluir também os incapazes, como o filho mais novo de Palin, o qual , nas palavras dela, teria de “justificar” a própria existência. Tudo isso sempre foi deslavada mentira – mas a direita já encontrara o ponto de apoio de que precisava; Palin declara que propostas (inexistentes) são “expressão do mal absoluto” – e propostas (existentes) são varridas do mundo.    <br />A estratégia tem sido surpreendentemente bem-sucedida. Agora, todas as conversas sobre assistência pública de saúde têm de começar por os Democratas explicarem detalhadamente que não, não são favoráveis ao assassinato de velhinhos – enquanto os Republicanos insistem em defender um status quo que mata 18 mil norte-americanos por ano.    <br />A hipocrisia é de assustar: Sarah Palin, quando governadora do Alasca, encorajava os cidadãos a assinar aqueles documentos-testamentos, sobre suspensão de tratamento médico. Praticamente todos os Republicanos que hoje fazem campanha contra os “comitês da morte” votaram no passado a favor dos documentos-testamentos sobre suspensão dos tratamentos. E a mentira já fazia germinar sua semente maléfica: lançara-se para o alto uma mão de confetes envenenados, para confundir e distrair; em seguida, começaram a sumir os votos de apoio ao plano para salvar vidas.    <br />Essas manifestações frenéticas separaram-se da realidade, de tal modo que soam hoje como comédias de humor negro. A revista US Investors&#8217; Daily, manifestamente de direita, publicou que, se Stephen Hawking fosse britânico, o sistema britânico “socialista” de saúde tê-lo-ia deixado morrer sem assistência. Hawking respondeu, depois de tossezinha polida, que é britânico e que “não estaria aqui, se o Serviço Nacional de Saúde britânico não existisse”.    <br />Essa tendência de simplesmente negar fatos inconvenientes e inventar um mundo de fantasia não é novidade – apenas se está tornando cada vez mais espantosa. Percorreu os anos Bush com o entusiasmo de um jorro de bourbon em água. Quando se tornou claro que Saddam Hussein não tinha armas de destruição em massa, os EUA simplesmente ‘declararam’ que as armas haviam sido mandadas para a Síria.    <br />Quando as provas científicas de que o homem está fazendo subir a temperatura média do planeta tornaram-se tão abundantes que já não podiam ser desmentidas, ‘declarou-se’ – nas palavras de um senador Republicano – que o aquecimento global seria “a maior dessas ‘lendas urbanas’ que se inventam por aí.”    <br />E que todos os climatologistas do planeta seriam “mentirosos’. A imprensa nos EUA então apresentou-se como ‘árbitro’ entre “os lados rivais”, como se os dois lados tivessem provas igualmente fidedignas, cada um a seu favor, e como se se tratasse de opiniões divergentes..    <br />É uma vergonha, porque há algumas áreas nas quais uma filosofia conservadora – que fizesse lembrar os limites dos maiores projetos e potências humanas e recomendasse cautela – poderia ser corretivo útil. Mas não é o que se vê, vindo dos chamados “conservadores” que conhecemos: hoje, não fazem senão alimentar fantasias histéricas que sequer conseguem esconder completamente os mais brutais interesses financeiros e preconceitos.    <br />Para muitas das principais figuras do Partido, trata-se de simples manipulação cínica. Um dos ex-conselheiros de Bush, David Kuo, disse que o presidente e Karl Rove por-se-iam a zombar dos evangélicos no instante em que saíssem da Casa Branca. Mas a base dos Republicanos acredita, mesmo, nas bobagens que o Partido tem ‘declarado’.    <br />Estão sendo arrastados contra seus próprios interesses, por ação de falsos medos de demônios inventados. Semana passada, um dos Republicanos mandados a uma prefeitura para demolir um centro de atendimento médico começou uma briga e foi ferido – e depois reclamou que não tem seguro-saúde. Não é engraçado. Por pouco não chorei ao ouvir a história.    <br />Como conseguem ser tão impermeáveis à realidade? Tudo começa, me parece, pela religião. São ensinados desde a mais tenra idade que é bom ter “fé” – e a fé, por definição implica crer em algo sem qualquer comprovação empírica. Ninguém depende de “fé” para acreditar que a Austrália existe; ou de que o fogo queima: há provas de tudo isso.    <br />Mas é preciso ter “fé” para acreditar em mentiras ou em eventos absolutamente improváveis. De fato, os Republicanos são ensinados que a fé é aspiração muito digna, a mais alta das aspirações e a mais nobre das causas. Não surpreende que essa lição invada todos os espaços mentais e contamine as ideais políticas? O pensamento baseado na fé espalha-se e contamina o pensamento racional.    <br />Até agora, Obama não respondeu a esse massacre pela des-razão. Tem implementado uma estratégia dupla: conciliar os interesses da elite econômica, e fazer piada sobre a marola de fanatismo que estão criando.    <br />Assegurou (vergonhosamente) às empresas farmacêuticas que um sistema expandido de saúde não usará o poder do governo como fator de barganha para fazer baixar os preços dos remédios –, ao mesmo tempo em que dizia, ao grande público, que “não estou planejando matar vovó”. Em vez de enfrentar declaradamente tanto os interesses mais agressivos quanto as fantasias mais bizarras, Obama optou por bajular uns e diminuir a importância das outras.    <br />Esse tipo de loucura não pode ser vencida por sedução nem conquistada por cooptação: tem de ser derrotada. Muitas vezes, em política, o inimigo é inevitável e tem de ser derrotado democraticamente. O sistema político não pode ser atropelado pela necessidade de satisfazer os deputados mais doidos ou mais doentiamente ambiciosos.    <br />Não há como expandir o atendimento público de saúde sem enfurecer os laboratórios da ‘Big Pharma’ e os Republicanos mais pirados. Então, que seja! Como escreveu Arianna Huffington: “É tão sem sentido quanto seria, no auge do movimento pelos Direitos Civis, supor que seria preciso esperar que Martin Luther King e George Wallace concordassem. Esse não é o caminho para qualquer mudança.”    <br />Por estranho que pareça, o Partido Republicano está realmente mergulhando num estranho culto bizarro, segundo o qual Barack Obama é matador de criancinhas e inventor ardiloso de sangrentos “comitês da morte” para matar os velhinhos norte-americanos. O novo slogan dessa gente poderia ser “bebês, encolham! Vovó, desapareça!”</p>
<p>Matéria publicada no site da <a href="http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16126&amp;boletim_id=585&amp;componente_id=9881" target="_blank">Agência Carta Maior</a></p>
<p><i>O artigo original, em ingles, pode ser lido em:     <br />http://www.independent.co.uk/opinion/commentators/johann-hari/johann-hari-republicans-religion-and-the-triumph-of-unreason-1773994.html</i>    <br /><i>Traduzido pelo site <a href="http://www.viomundo.com.br">Vi o Mundo</a>. de Luiz Carlos Azenha.</i></p>
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		<title>Trabalhadores com sal&#225;rios atrasados paralisam obras do Hospital Dr. Arnaldo</title>
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		<pubDate>Sat, 29 Aug 2009 18:38:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[ Há mais de 20 dias sem salários e vale-transporte os trabalhadores paralisaram as obras do Hospital Doutor Arnaldo Pezzuti Cavalcanti em Jundiapeba. O Sindicato da categoria ameaça organizar protestos se a empresa responsável não pagar até setembro 
 
&#160;
Os serviços foram contratados pelo governo do Estado de São Paulo e os trabalhos ficaram sob [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.psolmogi.org.br/wp-content/uploads/2009/08/braoscruzados.jpg"><img style="border-bottom: 0px; border-left: 0px; margin: 5px 0px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px" title="braços cruzados" border="0" alt="braços cruzados" align="left" src="http://www.psolmogi.org.br/wp-content/uploads/2009/08/braoscruzados_thumb.jpg" width="168" height="129" /></a> Há mais de 20 dias sem salários e vale-transporte os trabalhadores paralisaram as obras do Hospital Doutor Arnaldo Pezzuti Cavalcanti em Jundiapeba. O Sindicato da categoria ameaça organizar protestos se a empresa responsável não pagar até setembro </p>
<p> <span id="more-470"></span>
<p>&#160;</p>
<p>Os serviços foram contratados pelo governo do Estado de São Paulo e os trabalhos ficaram sob a responsabilidade da Estacon Engenharia, ao custo de R$10.119.961,18. A Estacon terceirizou o serviço e contratou a WM administradora. Agora, a reclamação dos trabalhadores seria o descuido da administradora para com os empregados. Entre os problemas, estão os atrasos do salário do mês de julho, do adiantamento do mês de agosto e do vale-transporte.    <br />Os trabalhadores denunciam que os problemas já são antigos, em dezembro passaram por situação semelhante, com atraso nos salários e paralisação da obra por 41 dias. Além disso os trabalhadores reclamam das más condições de trabalho. Segundo o Sindicato a empresa Estacon já entrou em contato e garantiu que os pagamentos e os encargos atrasados serão pagos pela WM até o dia 2 de setembro. Se o acordo não for firmado os trabalhadores prometem realizar protestos.    <br />Segundo o noticiado pelos jornais locais o governo do Estado tem realizado o pagamento à empreiteira, e que o que está ocorrendo no local é um problema interno. Não existe uma avaliação se as obras estão atrasadas.</p>
<p>Num momento em que a região enfrenta a pandemia de gripe e com os contínuos problemas na saúde pública da cidade essa paralisação agrava ainda mais a situação precária enfrentada pela população, continuamente desrespeitada em seus direitos e evidencia também os problemas causados por processos de terceirização que abocanham grandes recursos públicos e exploram de forma desumana os trabalhadores.</p>
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		<title>Micr&#243;bios, gripe e porcos transnacionais</title>
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		<pubDate>Fri, 24 Jul 2009 12:55:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Gripe Suína]]></category>
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		<description><![CDATA[Ainda que os casos comprovados de gripe suína humana cheguem a mais de 100 mil os governos e a OMS se esforçam em ignorar as causas reais da [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><i>Silvia Ribeiro</i></p>
<p><a href="http://www.psolmogi.org.br/wp-content/uploads/2009/07/090501131637_mexico_shutdown512.jpg"><img style="border-bottom: 0px; border-left: 0px; margin: 5px 10px 10px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px" title="090501131637_mexico_shutdown512" border="0" alt="090501131637_mexico_shutdown512" align="left" src="http://www.psolmogi.org.br/wp-content/uploads/2009/07/090501131637_mexico_shutdown512_thumb.jpg" width="244" height="139" /></a> Ainda que os casos comprovados de gripe suína humana cheguem a mais de 100 mil no mundo e se tema que as próximas mutações do vírus sejam mais letais, os governos e a Organização Mundial de Saúde (OMS) se esforçam em ignorar as causas reais da pandemia.</p>
<p>Ao invés disso predominam os enfoques fragmentários, seja em relação aos sintomas, ao desenvolvimento de uma vacina contra o novo vírus, que pode lhe fornecer sobre vida e até poderia e piorar a situação, o que é um grande negócio para as transnacionais que dominam esse mercado.</p>
<p> <span id="more-418"></span>
</p>
<p>A atual pandemia de gripe suína é grave em si mesma e, no entanto, é apenas um indicador do acelerado processo de recombinação e criação de novos agentes patogênicos dos últimos anos. Não é um feito ilhado nem fortuito, é um componente lógico e coerente da grave crise generalizada de saúde a nível global, consequência das múltiplas crises econômicas, ambientais, climáticas, em que estamos imersos graças a décadas de lucro desenfreando das transnacionais, devastadoras da população e do planeta.</p>
<p>Ainda que as autoridades finjam demência (inclusive premiem os causadores da epidemia, como no México) está claro o papel fundamental da criação industrial de animais em grande escala, principalmente porcos, como promotores da criação de novas patologias. Não é o único fator, mas é a chave na origem da atual epidemia e nas que virão, porque os porcos atuam, mais que em outras espécies, como “crisol” para a recombinação de novos vírus. As condições de amontoamento de milhares de animais onde circulam diferentes tipos de vírus que podem infectar simultaneamente um mesmo animal, o estresse, as frequentes vacinações e exposição contínua a praguicidas, excedem esta capacidade.</p>
<p>A comprovação de que também os humanos transmitem o novo vírus&#160; A/H1N1 aos tipos, é muito preocupante porque acelera as causas de mutação do vírus que pode retornar aos humanos em formas mais agressivas. No entanto, em 16 de julho a OMS anunciou que a gripe suína humana (assepticamente chamada por eles A/H1N1 para exculpar os industriais de criação de porcos) se tem estendido tanto e o nível de contágio é tão comum, que já não se requer aos países reportar ao organismo os novos casos. De todos os modos, disse a OMS, isso é impossível porque o contágio vai muito mais rápido que sua capacidade de contabilizarmos. Segundo a OMS “a pandemia de gripe em 2009 vem disseminando em nível internacional com uma rapidez sem precedentes. Em pandemias anteriores, os vírus da gripe necessitarão de mais de seis meses para disseminarsse tão amplamente como o novo vírus A/H1N1 lhe tem feito em menos de seis semanas”.</p>
<p>Mostram assim outro fator chave da pandemia: o aumento do tráfego global de bens, animais, pessoas (e micróbios), inerente ao mercado mundial que necessitam as transnacionais.</p>
<p>Para esse mercado se constróem os grandes megaprojetos de infra-estrutura e energia (rodovias, grandes represas, hidrovias), aumenta o desmatamento e o avanço dos grandes monocultivos agrícolas e florestais (com a consequente expulsão das populações rurais em direção às cidades) destruindo a seu passo os habitats naturais e sua biodiversidade e, portanto, os competidores benéficos e inimigos naturais dos microorganismos patogênicos. A concentração resultante da população em grandes centros urbanos – também útil para as vendas centralizadas das transnacionais, carentes em sua periferia de serviços básicos, cria condições ideais para a transmissão em grande escala.</p>
<p>Em todos os casos de epidemias e surgimento de novos patologias das últimas décadas, tais como ébola, antavírus, vírus do Nilo, novos tipos de malária, dengue, HIV, há por trás alguns desses fatores. Há pertubação de hábitats de animais silvestres que atuam como reservatórios sem contrair a enfermidade, forçando sua migração a zonas mais povoadas; criam novos e abundantes criadouros de vetores das enfermidades (como poças d&#8217;água em zonas desmatadas que criam mosquitos como anófeles, vetor da malária; proliferação de moluscos e insetos nos lagos e rios afetados por grandes represas devido a mudanças de salinidade, aumentando&#160; exponencialmente os casos de leishmaniose, esquistossomose, e, etc); próximas de mega criadouros industriais de porcos e frangos, etc.</p>
<p>A isto há que se somar o crescente uso e manipulação industrial de vírus e bactérias, que são utilizados, por exemplo, para construir transgênicos, para produzir substâncias químicas e farmacêuticas, todo ele fator de aceleração de mutações.</p>
<p>As políticas fragmentárias também aumentam a velocidade de mutação e seu impacto. As campanhas de desinfecção massiva e o aumento de uso de antibacterianos, eliminam os microorganismos mais débeis, deixam espaço aos mais resistentes e obrigam aos vírus a multar mais rápido. As campanhas de vacinação criam uma imunidade temporal que produz que as novas gerações não tenham nenhuma defesa natural frente a este vírus, ao tempo que deixam nichos vazios para outros vírus, quiçá uma das causas do porquê a população mais jovem morre mais rápido com o vírus da gripe atual, aparentando com a gripe de 1918.</p>
<p>Ainda que as autoridades pretendam esquivar-se, pressionadas pelo sistema global e pelo lucro das trasnacionais, ver as causas do desastre em toda sua magnitude é uma tarefa imprescindível, assim como apoiar aos que seguem sustentando a biodiversidade e a saúde do meio ambiente e a natureza, como camponeses, indígenas e comunidades locais.</p>
<p><b><i>Silvia Ribeiro é pesquisadora do Grupo ETC</i></b></p>
<p>Matéria publicada pela <a href="http://www3.brasildefato.com.br/v01/agencia/analise/microbios-gripe-e-porcos-transnacionais" target="_blank">Agência Brasil de Fato</a></p>
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		<title>O que não se discute sobre a gripe suína*</title>
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		<pubDate>Thu, 30 Apr 2009 21:05:08 +0000</pubDate>
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Escrito por Altacir Bunde 






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<p>É impressionante que mais uma vez a imprensa burguesa não traga os elementos e as causas da origem do problema, nem mesmo o nome da empresa que cria porcos na região de Veracruz, no México. Aqui nos jornais dos Estados Unidos nada se fala sobre as empresas, até porque grande parte das que estão instaladas em Veracruz são americanas – sendo que esta forma de criação de porcos também é praticada aqui nos Estados Unidos.</p>
<p>Tenho ouvido relatos, aqui nos EUA, de que há regiões aonde a população de porcos chega a cinco para cada habitante. Daí se pode ter uma idéia de como está a　região, com todos os restos fecais que são expostos em grandes tanques, nos quais são colocadas as fezes e jogados os porcos que morrem e demais dejetos orgânicos.</p>
<p>A empresa Smithfield Foods, uma gigante norte americana, a maior do mundo　em produção, embalagem e exportação de carne de porco, pode estar diretamente ligada ao surto da gripe suína. A Smithfield opera de forma maciça na compra de porcos no México, no estado de Veracruz, onde o surto foi originado. As operações e criações se dão através　de uma filial denominada Granjas Carroll,　que mexe com cerca de　950.000 suínos por ano, de acordo com o site da empresa. Por aí se pode ter uma idéia da quantidade de dejetos produzidos&#8230;</p>
<p>Os residentes próximos à região onde há　a criação de porcos　afirmam que o　surto da gripe suína foi causado por contaminações originárias das fazendas localizadas na área e de propriedade　das Granjas Carroll. Foram estas grandes empresas criadoras de porcos na região e produtoras de imensas quantidades de dejetos fecais e orgânicos colocados ao ar livre que produziram as moscas que dali espalharam o vírus da gripe suína.</p>
<p>Algumas pessoas aqui nos Estados Unidos dizem ser praticamente impossível viver próximo a tais locais, inclusive nos Estado Unidos,　tamanha a contaminação do ar e　das águas com seus grandes depósitos de restos fecais e outros, e que a quantidade de moscas nestas áreas é tão enorme que é praticamente impossível de se viver por perto.</p>
<p>De acordo com um dos moradores da comunidade no estado de Veracruz, Eli Ferrer Cortes, os resíduos orgânicos e fecais produzidos pela　Carroll Farms não são tratados adequadamente, levando à contaminação da água e do vento na região, da qual nasceu o surto.</p>
<p>Diante disso, podemos mais uma vez assistir as façanhas de um modelo de produção perverso. Esperamos que ao menos a opinião pública – claro, se tiver acesso à informação, o que será muito difícil &#8211; possa ao menos　questionar a origem e a forma de como se produz o que　comem&#8230;</p>
<p><strong>Altacir Bunde é diretor nacional do Movimento dos Pequenos Agricultores.</strong></p>
<p>Publicado originalmente no <a href="http://www.correiocidadania.com.br/content/view/3230/9/" target="_blank">Correio da Cidadania</a></p>
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