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	<title>PSOL Mogi das Cruzes &#187; Neoliberalismo</title>
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		<title>Brasileiros querem governo influente sobre o mercado</title>
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		<pubDate>Tue, 10 Nov 2009 13:26:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Os brasileiros formam, entre 27 grupos consultados, o povo mais  favorável à regulação dos negócios pelo governo e um dos três que mais querem do Estado o exercício de papel ativo para promover a distribuição de renda.
Essas posições, indicadoras de insatisfação com o capitalismo, constam de pesquisa realizada pelo Instituto GlobeScan, a pedido da rede [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Os brasileiros formam, entre 27 grupos consultados, o povo mais  favorável à regulação dos negócios pelo governo e um dos três que mais querem do Estado o exercício de papel ativo para promover a distribuição de renda.<br />
Essas posições, indicadoras de insatisfação com o capitalismo, constam de pesquisa realizada pelo Instituto GlobeScan, a pedido da rede britânica de comunicação BBC,  com 29.033 pessoas de 27 países. <span id="more-603"></span>No Brasil foram feitas 835 entrevistas, de 2 a 4 de julho, em Brasília e oito capitais estaduais. Em síntese, o que a pesquisa apurou aqui é que 87% dos entrevistados desejam que o governo exerça papel maior na regulação dos negócios – índice superior ao apurado em qualquer outro país; e 89% querem que o Estado seja mais ativo para promover a distri  bui  ção de renda – índice  supera  do  apenas  pelos  mexicanos  (92%)  e chilenos (91%).<br />
A pesquisa informa ainda que 64% dos brasileiros – um dos maiores índices identificados &#8211; defendem maior controle do governo sobre a indústria e os negócios.<br />
A conclusão geral da pesquisa é a de que se disseminou pelo mundo a desilusão com o capitalismo. Só 11% do total de entrevistados disseram que a economia capitalista funciona corretamente, enquanto 51% manifestaram  a  crença  de  que  suas  falhas  podem  ser resolvidas com mais regulação e reformas. Os únicos países em que mais de 20% dos entrevistados disseram que o capitalismo está funcionando bem são os Estados Unidos (25%) e o Paquistão (21%).<br />
&#8220;Parece que a queda do Muro de Berlim &#8211; que ontem completou  20  anos  e  foi  simulada  com  a  queda  de dominós &#8211; pode não ter sido a vitória arrasadora<br />
do  capitalismo  de  livre  mercado  que  se  acreditava então, em particular depois dos acontecimentos dos últimos 12 meses&#8221;, avaliou Doug Miller, presidente da Instituto  GlobeScan,  referindo-se  à  crise  financeira internacional.<br />
Os  brasileiros  formam  o  terceiro  grupo  nacional entre aqueles que consideram indispensável um novo modelo econômico porque o capitalismo sofre de defeitos  insuperáveis. Esse grupo é proporcionalmente maior na França (43%) e no México (38%) do que no Brasil (35%).<br />
Em 15 dos 27 países que formaram o universo da pesquisa a maioria dos entrevistados desejam que seus governos exerçam maior controle sobre suas indústrias. Esse desejo é maior entre os russos (77%).<br />
Depois do colapso das instituições financeiras e dos trilhonários planos de socorro e de recuperação adotados pelos governos, a maioria dos entrevistados em 17<br />
países desejam maior regulação da economia. Em 22 dos 27 países, sobretudo entre os latino-americanos, os pesquisados  se pronunciaram majoritariamente por uma divisão menos desigual ou mais  igualitária das riquezas. (Com agências)</p>
<p>Matéria publicada originalmente no site <a href="http://www.brasiliaconfidencial.inf.br/?p=4646" target="_blank">Brasília Confidencial,</a> edição de 9 de novembro de 2009.</p>
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		<title>Uma segunda Grande Depress&#227;o ainda &#233; poss&#237;vel</title>
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		<pubDate>Thu, 22 Oct 2009 17:18:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[ Alguns economistas estão dizendo que a recessão estará encerrada muito brevemente. O futuro é fundamentalmente incerto, o que faz com que a prática de predições sempre seja um empreendimento temerário. Isso quer dizer que há uma boa chance de o novo consenso estar errado. Em vez disso, há bases sólidas para acreditar que a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.psolmogi.org.br/wp-content/uploads/2009/10/foto_mat_24030.jpg"><img style="border-bottom: 0px; border-left: 0px; margin: 5px 5px 35px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px" title="foto_mat_24030" border="0" alt="foto_mat_24030" align="left" src="http://www.psolmogi.org.br/wp-content/uploads/2009/10/foto_mat_24030_thumb.jpg" width="270" height="146" /></a> Alguns economistas estão dizendo que a recessão estará encerrada muito brevemente. O futuro é fundamentalmente incerto, o que faz com que a prática de predições sempre seja um empreendimento temerário. Isso quer dizer que há uma boa chance de o novo consenso estar errado. Em vez disso, há bases sólidas para acreditar que a economia dos EUA experimentará uma segunda queda, seguida por prolongada estagnação que será qualificada como a segunda Grande Depressão. A análise é do economista Thomas I. Palley.</p>
<p> <span id="more-590"></span>
</p>
<p>Thomas I. Palley (*)</p>
<p>Ao longo do ano passado a economia global experimentou uma contração massiva, a mais profunda desde a Grande Depressão dos anos 30. Porém, nesta primavera, os economistas começaram a falar em <i>“green shoots”</i> <b>(1)</b> de retomada e essas afirmações otimistas rapidamente se espalharam por Wall Street. Mais recentemente, no aniversário da quebra do Lehman Brothers, o presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, abençoou oficialmente esse consenso, ao declarar que a recessão estará “encerrada muito brevemente”.     <br />O futuro é fundamentalmente incerto, o que faz com que a prática de predições sempre seja um empreendimento temerário. Isso quer dizer que há uma boa chance de o novo consenso estar errado. Em vez disso, há bases sólidas para acreditar que a economia dos EUA experimentará uma segunda queda, seguida por prolongada estagnação que será qualificada como a segunda Grande Depressão. Algumas indicações desse efeito já podem ser percebidas na inesperada ampliação das perdas de postos de trabalho nos EUA em setembro, e a queda na venda de automóveis nos país segue o fim do programa <i>“Cash for Clunkers”</i> <b>(2)</b>.    <br />Que esse cenário rosa de pensamento tenha retornado a Wall Street nao deveria surpreender. Wall Street lucra com o aumento do preço dos títulos sobre os quais acarreta taxas de gerenciamento, ganha com a negociação para recomendá-los, e com o encorajamento de retenção de investimentos para comprar ações que estimulam as transações. Esses ganhos são muitíssimo maiores quando as ações do mercado estão em alta, o que explica a propensão genética de Wall Street a pressionar a economia.     <br />Quanto aos economistas <i>mainstream</i>, seus modelos teóricos foram ofuscados pela crise e eles só predizem a recuperação por conta dos compromissos declarados nos seus modelos. De acordo com a teoria <i>mainstream</i>, está dado que o pleno emprego é um ponto de gravidade em relação ao qual a economia está recuada.     <br />Modelos de econometria empíricos são igualmente questionáveis. Eles também predizem a recuperação gradual, mas que seja dirigida por critérios de reversão de tendências observadas em dados passados. O problema, como dizem os investidores profissionais, é que “o desempenho anterior não é critério para o desempenho futuro”. A crise econômica representa a implosão do paradigma econômico que comandou o crescimento estadunidense e global ao longo dos últimos trinta anos. Esse paradigma estava baseado no aumento do consumo estimulado pelo endividamento e pela inflação dos preços das ações, e se foi.     <br />Há uma lógica simples para explicar por que a economia experimentará uma segunda queda. Essa lógica repousa na desaceleração que produz, inevitavelmente, um castigo em duas etapas. A primeira já está em curso, e provocou a crise financeira que causou a pior recessão desde a Grande Depressão. A segunda apenas começou.     <br />A desaceleração pode ser entendida através de uma metáfora na qual um carro simboliza a economia. Emprestar é como pisar no acelerador e acelerar a atividade econômica. Quando o empréstimo pára, o pé se afasta do pedal do acelerador e o carro diminui a velocidade. Contudo, agora o motor do carro está sobrecarregado pela acumulação de débito, de modo que a atividade econômica diminui em comparação com o nível anterior.     <br />Com a desaceleração, as economias domésticas aumentaram a liquidação e negociação de dívidas. Essa é a segunda etapa e é como pisar no freio, o que faz com que a economia desacelere ainda ao nível de uma queda dupla. A rápida desaceleração, como a que está acontecendo agora, é equivalente a pisar no freio com força. O único aspecto positivo é que isso reduz o endividamento, o que é quase a mesma coisa que remover peso da máquina. Isso ajuda a estabilizar a atividade num nível mais baixo, mas não acelera o carro como dizem os economistas.     <br />Infelizmente a metáfora do carro só dá conta parcialmente das condições atuais, à medida que defende que o processo de desaceleração na economia é estável. Ainda, já houve uma crise financeira e a economia real está agora infectada por um processo multiplicador causando gastos mais baixos, perda massiva de emprego e falências comerciais. Essa desaceleração a mais cria a possibilidade de uma queda em espiral que constituiria uma depressão.     <br />Essa espiral é capturada pela metáfora do Titanic, que foi pensado para ser impecável devido aos seus próprios tabiques sequencialmente estruturados. Contudo, esses tabiques não tinham teto, e quando o Titanic bateu no iceberg que danificou seu lado, os tabiques da frente se encheram d&#8217;água e se renderam. A água, então, agitou os tabiques da popa, causando o naufrágio do navio.     <br />A economia dos EUA bateu num iceberg de endividamento. O dano resultante ameaça o fluxo dos mecanismos de estabilização da economia, que o economista Hyman Minsky chamou de &#8211; <i>“thwarting institutions”</i> [algo como “instituições de anulação”].    <br />O seguro desemprego não está no topo de sua magnitude e está expirando para muitos trabalhadores. Isso projeta na sequência uma redução dos gastos e o agravamento do problema das hipotecas.     <br />Os Estados estão limitados pelas exigências de equilíbrio fiscal e estão cortando gastos e empregos. Consequentemente, o setor público está jogando o setor privado em contradição.     <br />A destruição das economias domésticas significa que muitos lares estão no limite ou com saldo negativo em seus orçamentos. Isso aumenta a pressão para salvar e bloquear o acesso a empréstimos que podem dar o impulso inicial da recuperação. Mais ainda, tanto as economias domésticas como o setor comercial enfrentam bancarrotas extensivas, que amplificam o choque multiplicador de perdas e também limitam a atividade econômica futura ao destruir históricos de crédito <b>(3)</b> e o acesso ao crédito.    <br />Por último, os EUA continuam a sangrar através da tripla hemorragia de déficit comercial que drena os gastos via importações, trabalho de imigrantes ilegais e investimentos desregulados. Essa hemorragia ficou evidenciada no programa <i>“Cash for Clunkers”</i>, no qual oito em cada dez veículos dos mais vendidos eram de marcas estrangeiras. Consequentemente, mesmo enormes estímulos fiscais teriam seu efeito reduzido.    <br />A crise financeira criou uma onda de retornos nos mercados financeiros. Uma desaceleração sem paralelo e o processo multiplicador repercutiu de modo adverso na economia real. Esse é um retorno dificílimo de ser revertido, o que explica por que uma segunda Grande Depressão permanece uma possibilidade real.     <br /><i>(*) Thomas Palley é pós-doutorado em Economia pela Universidade de Yale, e criador da organização não-governamental Economics for Democratic &amp; Open Societies (Economia para Sociedades Abertas e Democráticas)     <br />Página do autor: <a href="http://www.thomaspalley.com">http://www.thomaspalley.com</a></i>    <br /><b>(1)</b> N.deT. Em economia, a expressão “green shoots&#8217; pode ser uma queda nos números do desemprego, uma subida nas vendas no varejo ou na confiança do consumidor. Tudo isso representa pontos de partida para o crescimento econômico depois de uma recessão. Agora, se de fato está em curso essa retomada a partir da verificação desses índices é uma outra questão. in: http://www.davemanuel.com/investor-dictionary/green-shoots/     <br /><b>(2)</b> N.deT. O programa “Cash for Clunkers”, em tradução livre &quot;Dinheiro para Carroças&quot;, do governo federal estadunidense é um programa de subsídios para a aquisição de automóveis novos, a título de estímulo fiscal para a retomada do crescimento econômico. Os proprietários de automóveis podiam receber subsídios para trocar seus carros por novos na ordem de quase 5 mil dólares, desde que os carros em via de aquisição fossem mais eficientes na relação entre aproveitamento de combustível e custo do mesmo. Esse programa, durante um período, estimulou as vendas do setor, mas estaria, conforme afirma o autor do artigo, sem apresentar resultados satisfatórios, no momento.     <br /><b>(3)</b> Sobre o conceito de histórico de crédito, ver: http://en.wikipedia.org/wiki/Credit_history N.deT.    <br /><b><i>Tradução: Katarina Peixoto</i></b>    <br />Foto da abertura: Stephen Chernin/Getty Images </p>
<p>&#160;</p>
<p>Matéria publicada no site <a href="http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16193&amp;boletim_id=602&amp;componente_id=10113" target="_blank">Carta Maior</a></p>
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		<title>Os del&#237;rios da direita norte-americana</title>
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		<pubDate>Sat, 29 Aug 2009 19:05:55 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[ Desde a posse de Obama, a direita nos EUA tem saltado freneticamente de uma fantasia para outra, como alguém que se debate nos tormentos de um colapso mental. Começou com a conversa de que Obama seria cripto-muçulmano e – ao mesmo tempo – de que seria também membro de uma igreja nacionalista negra que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.psolmogi.org.br/wp-content/uploads/2009/08/guianeoconservadora.jpg"><img style="border-bottom: 0px; border-left: 0px; display: inline; margin-left: 0px; border-top: 0px; margin-right: 0px; border-right: 0px" title="Águia neoconservadora" border="0" alt="Águia neoconservadora" align="left" src="http://www.psolmogi.org.br/wp-content/uploads/2009/08/guianeoconservadora_thumb.jpg" width="103" height="83" /></a> Desde a posse de Obama, a direita nos EUA tem saltado freneticamente de uma fantasia para outra, como alguém que se debate nos tormentos de um colapso mental. Começou com a conversa de que Obama seria cripto-muçulmano e – ao mesmo tempo – de que seria também membro de uma igreja nacionalista negra que odeia brancos. Um traço sempre presente na visão de mundo da direita norte-americana – negar a realidade e argumentar contra um fantasma demoníaco que a própria direita cria – inchou e cresceu. Hoje, a direita só vê o que só ela vê. O artigo é de Johann Hari.</p>
<p> <span id="more-480"></span>
<p>&#160;</p>
<p>Johann Hari &#8211; The Independent</p>
<p><i>Como conseguem ser tão impermeáveis à realidade?</i>    <br />Algo estranho aconteceu nos EUA nos nove meses decorridos desde que Barack Obama foi eleito, bem resumido pelo comediante Bill Maher: &quot;Os Democratas deram um passo em direção à direita; os Republicanos deram vários em direção ao hospício&quot;.    <br />A eleição de Obama – negro e com mensagem progressista – para suceder George W. Bush, detonou o âmago do modo como a direita norte-americana vê seu país. Aí, nesse âmago, eles vêem os EUA como nação de pele branca, de direita, modelada para sempre à moda de Sarah Palin.    <br />Quando essa imagem foi repudiada por maioria maciça de norte-americanos, a direita simplesmente não computou. Não podia acontecer; logo, não aconteceu. Como o grito &quot;Perfure, gatinha, perfure&quot; [<i>“Drill, baby, drill”</i>, uma forma de incentivar Palin a buscar petróleo no Alasca] poderia ter sido derrotado por um mulato supostamente qualificado para a presidência? E, assim, um traço sempre presente na visão de mundo da direita norte-americana – negar a realidade e argumentar contra um fantasma demoníaco que a própria direita cria – inchou e cresceu. Hoje, a direita norte-americana só vê o que só ela vê.    <br />Desde a posse de Obama, a direita nos EUA tem saltado freneticamente de uma fantasia para outra, como alguém que se debate nos tormentos de um colapso mental. Começou com a conversa de que Obama seria cripto-muçulmano e – ao mesmo tempo – de que seria também membro de uma igreja nacionalista negra que odeia brancos.    <br />Quando essas idéias foram rejeitadas e Obama venceu as eleições, puseram-se a dizer que Obama teria nascido no Quênia e que teria sido contrabandeado (sic) para os EUA ainda bebê, e as autoridades do Havaí, cúmplices desse projeto, teriam falsificado a certidão de nascimento do bebê contrabandeado (sic). Nesses termos e pelas razões acima expostas, Obama ‘é’ inelegível, ‘não foi’ eleito e, pois, a presidência ‘tem de ser’ imediatamente entregue ao candidato Republicano, John McCain.    <br />Não são fenômenos marginais: pesquisa da Research 200 descobriu que a maioria dos Republicanos e dos habitantes do Sul afirmam que Obama não nasceu nos EUA ou que não sabem com certeza onde nasceu. Vários senadores Republicanos têm repetido que Obama teria “perguntas a responder”. Não há comprovação, por mais incontestável – a certidão de nascimento, a foto de sua mãe grávida, no Havaí, a participação do nascimento no jornal do Havaí – que abale a convicção dos Republicanos.    <br />Essa tendência alcançou o clímax no verão passado, com o Partido Republicano a clamar, em uníssono, que Obama deseja ver instalados &quot;comitês da morte&quot; para eutanásia dos velhos e portadores de deficiências. Sim, sim: Sarah Palin realmente declarou – sem piscar e sem corar –, que Barack Obama planeja assassinar o bebê dela.    <br />É preciso admirar a audácia da direita. Vejam, pois, o que está realmente acontecendo.    <br />Os EUA são o único grande país industrializado que não oferece assistência pública regular de saúde a toda a população. Não havendo assistência pública de saúde, os cidadãos têm de pagar por planos de seguro-saúde – e 50 milhões de pessoas, nos EUA, não têm meios para isso.    <br />Resultado, 18 mil cidadãos norte-americanos morrem por ano, exclusivamente por não terem acesso ao atendimento médico de que necessitam. Equivale a seis 11 de setembro ao ano, todos os anos, ano após ano. E os Republicanos acusaram de “matadores” os Democratas que tentam deter esses milhares de mortes –, e já conseguiram pô-los na defensiva.    <br />Os Republicanos defendem o sistema existente, dentre outros motivos porque recebem gigantescas somas de dinheiro das empresas médicas privadas que se beneficiam do sistema que gera muitas mortes e muitos lucros. Mas não podem defender diretamente o sistema mortal, porque 70% dos norte-americanos consideram “imoral” defender um sistema de assistência médica que não oferece cobertura a todos os cidadãos. Então, os Republicanos são obrigados a inventar mentiras que operem o prodígio de fazer soar como depravação qualquer plano para estender a cobertura médica.    <br />Há alguns meses, como membro recém incorporada à diretoria de um conglomerado de empresas de saúde privada, Betsy McCaughey noticiou a inclusão de uma cláusula no projeto de lei sobre saúde pública, que pagaria as despesas dos mais velhos para fazerem uma visita ao médico e uma visita ao tabelião para fazer uma declaração de vontade. Poderiam assim declarar quando (se, é claro) desejam que o tratamento seja suspenso. Seria ato totalmente voluntário.    <br />Muita gente deseja ter esse direito: eu mesmo não me interessaria por ser mantido vivo por alguns meses extra, em agonia e sem poder falar. Mas McCaughey lançou o boato de que aí estaria uma forma de eutanásia, pelo qual os velhos seriam forçados a concordar com a própria morte. Depois, a ‘cláusula’ passou a incluir também os incapazes, como o filho mais novo de Palin, o qual , nas palavras dela, teria de “justificar” a própria existência. Tudo isso sempre foi deslavada mentira – mas a direita já encontrara o ponto de apoio de que precisava; Palin declara que propostas (inexistentes) são “expressão do mal absoluto” – e propostas (existentes) são varridas do mundo.    <br />A estratégia tem sido surpreendentemente bem-sucedida. Agora, todas as conversas sobre assistência pública de saúde têm de começar por os Democratas explicarem detalhadamente que não, não são favoráveis ao assassinato de velhinhos – enquanto os Republicanos insistem em defender um status quo que mata 18 mil norte-americanos por ano.    <br />A hipocrisia é de assustar: Sarah Palin, quando governadora do Alasca, encorajava os cidadãos a assinar aqueles documentos-testamentos, sobre suspensão de tratamento médico. Praticamente todos os Republicanos que hoje fazem campanha contra os “comitês da morte” votaram no passado a favor dos documentos-testamentos sobre suspensão dos tratamentos. E a mentira já fazia germinar sua semente maléfica: lançara-se para o alto uma mão de confetes envenenados, para confundir e distrair; em seguida, começaram a sumir os votos de apoio ao plano para salvar vidas.    <br />Essas manifestações frenéticas separaram-se da realidade, de tal modo que soam hoje como comédias de humor negro. A revista US Investors&#8217; Daily, manifestamente de direita, publicou que, se Stephen Hawking fosse britânico, o sistema britânico “socialista” de saúde tê-lo-ia deixado morrer sem assistência. Hawking respondeu, depois de tossezinha polida, que é britânico e que “não estaria aqui, se o Serviço Nacional de Saúde britânico não existisse”.    <br />Essa tendência de simplesmente negar fatos inconvenientes e inventar um mundo de fantasia não é novidade – apenas se está tornando cada vez mais espantosa. Percorreu os anos Bush com o entusiasmo de um jorro de bourbon em água. Quando se tornou claro que Saddam Hussein não tinha armas de destruição em massa, os EUA simplesmente ‘declararam’ que as armas haviam sido mandadas para a Síria.    <br />Quando as provas científicas de que o homem está fazendo subir a temperatura média do planeta tornaram-se tão abundantes que já não podiam ser desmentidas, ‘declarou-se’ – nas palavras de um senador Republicano – que o aquecimento global seria “a maior dessas ‘lendas urbanas’ que se inventam por aí.”    <br />E que todos os climatologistas do planeta seriam “mentirosos’. A imprensa nos EUA então apresentou-se como ‘árbitro’ entre “os lados rivais”, como se os dois lados tivessem provas igualmente fidedignas, cada um a seu favor, e como se se tratasse de opiniões divergentes..    <br />É uma vergonha, porque há algumas áreas nas quais uma filosofia conservadora – que fizesse lembrar os limites dos maiores projetos e potências humanas e recomendasse cautela – poderia ser corretivo útil. Mas não é o que se vê, vindo dos chamados “conservadores” que conhecemos: hoje, não fazem senão alimentar fantasias histéricas que sequer conseguem esconder completamente os mais brutais interesses financeiros e preconceitos.    <br />Para muitas das principais figuras do Partido, trata-se de simples manipulação cínica. Um dos ex-conselheiros de Bush, David Kuo, disse que o presidente e Karl Rove por-se-iam a zombar dos evangélicos no instante em que saíssem da Casa Branca. Mas a base dos Republicanos acredita, mesmo, nas bobagens que o Partido tem ‘declarado’.    <br />Estão sendo arrastados contra seus próprios interesses, por ação de falsos medos de demônios inventados. Semana passada, um dos Republicanos mandados a uma prefeitura para demolir um centro de atendimento médico começou uma briga e foi ferido – e depois reclamou que não tem seguro-saúde. Não é engraçado. Por pouco não chorei ao ouvir a história.    <br />Como conseguem ser tão impermeáveis à realidade? Tudo começa, me parece, pela religião. São ensinados desde a mais tenra idade que é bom ter “fé” – e a fé, por definição implica crer em algo sem qualquer comprovação empírica. Ninguém depende de “fé” para acreditar que a Austrália existe; ou de que o fogo queima: há provas de tudo isso.    <br />Mas é preciso ter “fé” para acreditar em mentiras ou em eventos absolutamente improváveis. De fato, os Republicanos são ensinados que a fé é aspiração muito digna, a mais alta das aspirações e a mais nobre das causas. Não surpreende que essa lição invada todos os espaços mentais e contamine as ideais políticas? O pensamento baseado na fé espalha-se e contamina o pensamento racional.    <br />Até agora, Obama não respondeu a esse massacre pela des-razão. Tem implementado uma estratégia dupla: conciliar os interesses da elite econômica, e fazer piada sobre a marola de fanatismo que estão criando.    <br />Assegurou (vergonhosamente) às empresas farmacêuticas que um sistema expandido de saúde não usará o poder do governo como fator de barganha para fazer baixar os preços dos remédios –, ao mesmo tempo em que dizia, ao grande público, que “não estou planejando matar vovó”. Em vez de enfrentar declaradamente tanto os interesses mais agressivos quanto as fantasias mais bizarras, Obama optou por bajular uns e diminuir a importância das outras.    <br />Esse tipo de loucura não pode ser vencida por sedução nem conquistada por cooptação: tem de ser derrotada. Muitas vezes, em política, o inimigo é inevitável e tem de ser derrotado democraticamente. O sistema político não pode ser atropelado pela necessidade de satisfazer os deputados mais doidos ou mais doentiamente ambiciosos.    <br />Não há como expandir o atendimento público de saúde sem enfurecer os laboratórios da ‘Big Pharma’ e os Republicanos mais pirados. Então, que seja! Como escreveu Arianna Huffington: “É tão sem sentido quanto seria, no auge do movimento pelos Direitos Civis, supor que seria preciso esperar que Martin Luther King e George Wallace concordassem. Esse não é o caminho para qualquer mudança.”    <br />Por estranho que pareça, o Partido Republicano está realmente mergulhando num estranho culto bizarro, segundo o qual Barack Obama é matador de criancinhas e inventor ardiloso de sangrentos “comitês da morte” para matar os velhinhos norte-americanos. O novo slogan dessa gente poderia ser “bebês, encolham! Vovó, desapareça!”</p>
<p>Matéria publicada no site da <a href="http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16126&amp;boletim_id=585&amp;componente_id=9881" target="_blank">Agência Carta Maior</a></p>
<p><i>O artigo original, em ingles, pode ser lido em:     <br />http://www.independent.co.uk/opinion/commentators/johann-hari/johann-hari-republicans-religion-and-the-triumph-of-unreason-1773994.html</i>    <br /><i>Traduzido pelo site <a href="http://www.viomundo.com.br">Vi o Mundo</a>. de Luiz Carlos Azenha.</i></p>
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		<title>Para CNTE, São Paulo não tem método para elaborar conteúdo</title>
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		<pubDate>Sun, 24 May 2009 14:11:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Educação]]></category>
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		<description><![CDATA[Distribuição de um livro com conteúdo sexual e palavrões em escolas paulistas serviria como apoio ao ensino de alunos que estão na faixa etária de nove [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="plain"><img class="alignleft size-full wp-image-297" style="margin: 10px;" title="quadrinhos-da-rede-estadual" src="http://www.psolmogi.org.br/wp-content/uploads/2009/05/quadrinhos-da-rede-estadual.jpg" alt="quadrinhos-da-rede-estadual" width="130" height="98" />Desirèe Luíse,<br />
A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo não tem um método para elaborar o seu conteúdo didático. A afirmação é do secretario geral da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Denílson Bento da Costa, sobre a distribuição de um livro com conteúdo sexual e palavrões em escolas paulistas. O material serviria como apoio ao ensino de alunos da terceira série, que estão na faixa etária de nove anos.</p>
<p>Desde a última semana, foram distribuídos mais de 1,2 mil exemplares do livro “Dez na Área, um na Banheira e Ninguém no Gol”, que faz parte do programa Ler e Escrever, uma das bandeiras do governo José Serra (PSDB) na educação. Bento da Costa comentou:</p>
<p>“Deve haver um diálogo, uma conversa, sobretudo com os professores sobre os livros didáticos ou os conteúdos que serão trabalhados com os alunos. O que acontece é que, infelizmente, a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo não faz esse diálogo, não procura a informação.”</p>
<p>A gestão do governador Serra afirmou, nesta terça-feira (19), que houve falha na escolha do livro, e que já determinou o recolhimento da obra. Segundo declaração de Serra à imprensa, uma sindicância será aberta para apurar o fato.</p>
<p>Esse é o segundo caso, neste ano, de problemas no material enviado às escolas estaduais de São Paulo. Em março, alunos da sexta série receberam livros em que o Paraguai aparecia duas vezes no mapa.</p></div>
<p>Matéria publicada originalmente no site <a href="http://www.radioagencianp.com.br/index.php?option=com_content&amp;task=view&amp;id=6872&amp;Itemid=43" target="_blank">&#8220;Radioagência NP&#8221;</a></p>
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		<title>Eduardo Galeano: a linguagem, as coisas e seus nomes</title>
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		<pubDate>Fri, 08 May 2009 14:48:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Hoje em dia, não fica bem dizer certas coisas perante a opinião pública. O capitalismo exibe o nome artístico de economia de mercado. O imperialismo se chama globalização. As vítimas do imperialismo se chamam países em via de desenvolvimento, que é como chamar de meninos aos anões. O oportunismo se chama pragmatismo. A traição se [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Hoje em dia, não fica bem dizer certas coisas perante a opinião pública. O capitalismo exibe o nome artístico de economia de mercado. O imperialismo se chama globalização. As vítimas do imperialismo se chamam países em via de desenvolvimento, que é como chamar de meninos aos anões. O oportunismo se chama pragmatismo. A traição se chama realismo. Os pobres se chamam carentes, ou carenciados, ou pessoas de escassos recursos.</p>
<p> <span id="more-254"></span>
</p>
<p>Eduardo Galeano</p>
<p>Na era vitoriana era proibido fazer menção às calças na presença de uma senhorita. Hoje em dia, não fica bem dizer certas coisas perante a opinião pública:    <br />O capitalismo exibe o nome artístico de economia de mercado;     <br />O imperialismo se chama globalização;     <br />As vítimas do imperialismo se chamam países em via de desenvolvimento, que é como chamar de meninos aos anões;     <br />O oportunismo se chama pragmatismo;     <br />A traição se chama realismo;     <br />Os pobres se chamam carentes, ou carenciados, ou pessoas de escassos recursos;     <br />A expulsão dos meninos pobres do sistema educativo é conhecida pelo nome de deserção escolar;     <br />O direito do patrão de despedir sem indenização nem explicação se chama flexibilização laboral;     <br />A linguagem oficial reconhece os direitos das mulheres entre os direitos das minorias, como se a metade masculina da humanidade fosse a maioria;     <br />em lugar de ditadura militar, se diz processo.     <br />As torturas são chamadas de constrangimentos ilegais ou também pressões físicas e psicológicas;     <br />Quando os ladrões são de boa família, não são ladrões, são cleoptomaníacos;     <br />O saque dos fundos públicos pelos políticos corruptos atende ao nome de     <br />enriquecimento ilícito;     <br />Chamam-se acidentes os crimes cometidos pelos motoristas de automóveis;     <br />Em vez de cego, se diz deficiente visual;     <br />Um negro é um homem de cor;     <br />Onde se diz longa e penosa enfermidade, deve-se ler câncer ou AIDS;     <br />Mal súbito significa infarto;     <br />Nunca se diz morte, mas desaparecimento físico;     <br />Tampouco são mortos os seres humanos aniquilados nas operações militares: os mortos em batalha são baixas e os civis, que nada têm a ver com o peixe e sempre pagam o pato, danos colaterais;     <br />Em 1995, quando das explosões nucleares da França no Pacífico Sul, o embaixador francês na Nova Zelândia declarou: “Não gosto da palavra bomba. Não são bombas. São artefatos que explodem”;     <br />Chama-se Conviver alguns dos bandos assassinos da Colômbia, que agem sob proteção militar;     <br />Dignidade era o nome de um dos campos de concentração da ditadura chilena e Liberdade o maior presídio da ditadura uruguaia;     <br />Chama-se Paz e Justiça o grupo militar que, em 1997, matou pelas costas quarenta e cinco camponeses, quase todos mulheres e crianças, que rezavam numa igreja do povoado de Acteal, em Chiapas.     <br /><i></i></p>
<p><i>(Do livro De pernas pro ar, editora L&amp;PM)</i></p>
<p><em>Texto publicado originalmente no site <a href="http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=15966&amp;boletim_id=550&amp;componente_id=9489" target="_blank">Carta Maior</a></em></p>
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